O fenômeno dos desigrejados.

Se você fizer uma busca rápida nas redes sociais, vai encontrar relatos de um grupo chamado “desigrejados”. Esse grupo não rompe com os dogmas do Cristianismo, mas se desvincularam da forma institucional das igrejas. Eles não abrem, ou não querem abrir mão de suas práticas e impressões religiosas, mas também não querem estar condicionados às estruturas da igreja como instituição. Existem vários fatores que contribuem para esse fenômeno, o mais citado, com certeza é a insatisfação com as práticas e as mensagens de algumas igrejas, ou decepção. Porém, se mergulharmos um pouco, veremos questões mais complexas…
Em uma matéria que saiu na revista Veja, com o título:” Por que milhões de evangélicos estão abandonando suas igrejas”, o teólogo Rodolfo Capler analisa assim… Leia um trecho:

“Conhecidos popularmente no seio do evangelicalismo brasileiro como desigrejados, esse contingente de fiéis não para de crescer, chegando hoje – segundo alguns estudiosos do fenômeno, à marca de 16 milhões de pessoas, o que os elegeria(se fossem uma denominação), como o segundo maior grupo confessional do país, ficando apenas atrás das Assembleias de Deus.”
“Em linhas gerais, os desigrejados consideram que a igreja está desvirtuada em sua natureza, na essência, na proposta relacional comunitária e em sua oferta de missão e serviço. Eles denunciam a distância entre o que se vê hoje na prática nos ambientes religiosos e o que poderia ser feito visando o melhor dos fundamentos colocados por Jesus e seus apóstolos.”
Segundo o teólogo Nelson Bomilcar, autor da obra “Os sem igreja: buscando caminhos de esperança na experiência religiosa”, os seguintes grupos integram o fenômeno:
A)Os assumidos sem-igreja;
B) Os desencantados com a igreja;
C)Os crentes superficiais, que não assumem compromisso sério com suas instituições;
D) Os que se reúnem informalmente nas casas;
E) Os que foram alvos de abuso espirituais por parte de suas lideranças religiosas;
F) Os sem- igreja que acompanham mensagens e reflexões pela Internet.
Fato é que, o que não é mencionado nessas pesquisas é a seguinte questão: muitas pessoas não querem ser confrontadas nos seus erros, não querem se submeter a um estilo de vida santo, querem viver um estilo de vida ambíguo: até gostam da comunhão do culto, mas não querem abandonar suas práticas mundanas. Isso é uma característica da Pós modernidade.
É claro que muitas realmente foram feridas, e não conseguiram lidar com a questão. Infelizmente há pessoas no corpo de Cristo que ainda estão ou vivem na carne e não se deixaram transformar pelo Espírito Santo. Especialmente quando essas mesmas pessoas têm cargos de liderança, isso se torna ainda mais preocupante, pois sendo influenciadas muito mais pela carne do que pelo Espírito usam seus cargos ou status para manipular as pessoas, especialmente os que podem de alguma maneira intervir em seus desmandos. Lidar com isso pode ser muito difícil, e em muitos casos, muitos preferem se retirar de suas igrejas.
Mas, há algo que gostaria de ponderar com você:
” Sabe por que conviver na igreja produz alguns incômodos e muitos acabam se retirando por causa dos conflitos? Não é simplesmente pelo pecado do outro, mas pelo choque do pecado do outro com nosso próprio pecado…Você já percebeu que muitos dos nossos pecados só são revelados quando nós mesmos estamos nos relacionando com outras pessoas, especialmente as que são diferentes de nós? Nossos pecados são revelados em meio aos desafios e às bênçãos de viver em comunhão.”
“Ter um encontro com nossas próprias falhas é dolorido, e Deus escolheu justamente a convivência com nossos irmãos na igreja local, como um dos meios de graça para nos fazer reconhecer nossos pecados, tratá-los é abandoná-los. ” Talvez essa seja a parte mais triste de ser um desigrejado. Não concluir esse processo de santificação. Esse processo é comunitário. Precisamos uns dos outros, dos dons uns dos outros para crescermos juntos e em amor, nos tornando cada vez mais semelhantes a Cristo (Ef 4.16).
Oremos pelas pessoas que estão afastadas da comunhão e nos esforcemos também para trazer essas pessoas novamente para perto. Há muito trabalho a fazer…
Fonte de pesquisa: Matéria da revista Veja, publicada em 09 de maio de 2022.
Livro: Unidas contra a rivalidade feminina, de Ana Paula Nunes.
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