A arte de viver desacelerado

MANIFESTO ANTIPRESSA: A ARTE DE VIVER DESACELERADO
Minha infância foi marcada por histórias. Algumas delas moldaram minha imaginação e me inspiram até hoje. Entre fábulas, contos e parábolas, uma sempre me acompanhou: a história do coelho e da tartaruga.
O coelho, veloz e autoconfiante, desafia a tartaruga para uma corrida e ela aceita. Ele dispara na frente, seguro da vitória. No percurso, decide cochilar. Quando desperta, descobre que dormiu demais. A tartaruga, sem pressa e sem interrupções, já havia cruzado a linha de chegada.
A moral da fábula é simples: o êxito espera quem age com constância.
Hoje somos regidos pela pressa. O mundo moderno não apenas acelerou, ele entrou em combustão.
Vivemos cansados, pilhados, hiperestimulados, sempre correndo, sem saber exatamente para onde estamos indo. A correria virou estilo de vida. A palavra pressa está ligada a pressão, compressão e precipitação.
Estamos ocupados ao ponto de nos tornarmos emocionalmente analfabetos, espiritualmente superficiais e relacionalmente ausentes.
O filósofo Byung-Chul Han analisou a cultura do excesso e afirmou que o homem contemporâneo vive exausto, vivo demais para morrer e morto demais para viver.
Gilles Lipovetsky chamou isso de hipermodernidade, essa era em que nada é profundo, tudo é urgente e vivemos em modo de sobrevivência.
O problema não é fazer muitas coisas. É fazer coisas demais.
Nenhuma vida espiritual amadurece na pressa. A pressa é inimiga da profundidade.
Desde o Gênesis, Deus estabelece um ritmo: trabalhe seis dias e descanse um. Descansar não é sugestão, é mandamento.
O sistema operacional da alma não funciona em alta rotação. Pessoas cansadas enxergam mal. Quando estamos cansados, problemas parecem montanhas, decisões simples viram dilemas e oportunidades passam despercebidas. Por isso, decisões importantes nunca devem ser tomadas quando estamos exaustos.
O que você conquista com pressa, mantém com ansiedade. O que é guiado por Deus não precisa ser empurrado o tempo todo. Apenas flui.
A tartaruga não venceu porque era rápida. Venceu porque foi constante.
No Reino de Deus, permanência vale mais que velocidade. Descanso é estratégia. Confiar é descansar.
Fonte: JB Carvalho

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