Alê Com Bíblia

O preço de falar mal das pessoas..

O Talmude fala de forma muito severa sobre a maledicência.
Nele encontramos a ideia de Deus julga a pessoa pela medida com que ela julga os outros.

Diversos mestres judeus desenvolveram a noção de que o difamador acaba sofrendo as consequências espirituais do dano que causou.

Bahya ibn Paquda em Chovot HaLevavot (“Deveres do Coração”), apresenta:

Quando alguém prejudica outro injustamente, poderá descobrir no Dia do Juízo que seus próprios méritos foram usados para compensar o dano causado à vítima.

O raciocínio é jurídico:

Se você causou prejuízo moral ou espiritual a alguém, Deus fará justiça.

Como muitas vezes não existe reparação material possível, a compensação pode ocorrer no campo espiritual.

O maior especialista judaico sobre lashon hará foi o rabino conhecido como Chafetz Chaim.

Ele enfatiza que quem fala mal dos outros sofre perdas espirituais enormes e pode acabar beneficiando justamente a pessoa que tentou prejudicar.

Autores posteriores passaram a explicar isso através de uma imagem pedagógica:

Imagine que cada pessoa possui um “saldo” de mitzvot (boas obras) e transgressões.

Quando você difama alguém:

1. Você cria uma dívida moral.
2. A vítima sofreu um dano.
3. Deus faz justiça.
4. Parte do mérito acumulado pelo difamador é creditado à vítima.

Em algumas versões: “As mitzvot dele vão para você e seus pecados vão para ele.”

Há uma narrativa sobre isso:

Um homem descobriu que sua conta espiritual estava cheia de méritos inesperados.

Perguntou ao tribunal celestial: “De onde vieram tantas mitzvot?”

A resposta foi: “São das pessoas que falaram mal de você durante a vida.”

Outro homem descobriu que seus méritos haviam desaparecido. Perguntou:

“Onde estão minhas boas obras?”

A resposta: “Você as entregou cada vez que difamou alguém.”

A mensagem: Quem fala mal de alguém tenta diminuir a reputação do próximo. Mas frequentemente ocorre o contrário:

O difamado cresce diante de Deus pela injustiça sofrida.

O difamador se degrada moralmente por ter usado a língua como arma.

Em outras palavras, a tradição judaica ensina que a maledicência produz um paradoxo:

A pessoa tenta roubar honra do próximo e acaba perdendo a própria.

Pastor JB Carvalho

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