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C.S LEWIS acreditava em Lility como a primeira esposa de Adão?

C.S LEWIS acreditava em Lility como a primeira esposa de Adão?

Em resposta direta: não, pelo menos não como figura histórica ou doutrinária. Lilith, como “primeira esposa de Adão”, pertence à tradição judaica medieval e não aparece nas Escrituras com esse papel. Lewis, que conhecia profundamente a literatura medieval, utilizou essa tradição como matéria mítica, não como afirmação teológica.

Em O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, a descendência da Feiticeira Branca de Lilith funciona como símbolo: Jadis encarna o orgulho e a rebelião contra a ordem criada. Lewis não precisava acreditar que Lilith existiu para usar sua imagem — assim como não precisava acreditar em faunos, centauros ou dragões para utilizá-los em Nárnia.

Isso revela algo importante sobre a imaginação de Lewis: a fantasia não precisa ser factual para comunicar uma verdade. Ele acreditava que o cristão poderia receber o vasto imaginário da humanidade e colocá-lo a serviço da verdade — aquilo que poderíamos chamar de uma “imaginação batizada”. E, no caso de Lilith, Lewis ainda dialogava com a tradição de George MacDonald, seu grande mestre literário, que também havia explorado a personagem como símbolo do orgulho e da recusa do amor.

No fim, a questão não é se Lilith realmente foi a primeira esposa de Adão. É o que sua presença em Nárnia nos ajuda a enxergar: o orgulho que se recusa a se curvar não pode reinar para sempre. E é justamente aí que a Feiticeira Branca encontra seu oposto em Aslam.

Fonte: narniano existencialista

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