A verdade nunca precisou de aplausos…

A frase “cada um tem o seu gosto” tornou-se um amuleto moderno. Um pequeno feitiço verbal que as pessoas usam para encerrar discussões, blindar escolhas duvidosas e relativizar a verdade. É uma espécie de cortina de fumaça. Uma frase que parece humilde, mas funciona como guarda-chuva para justificar o que não merece justificativa.
Quando algo é bom, verdadeiro e belo, não depende do “gosto”. A verdade nunca precisou de aplausos para ser verdade. A bondade não se torna bondade porque um grupo decidiu gostar dela. A beleza não perde sua força porque alguém prefere o grotesco.
O gosto pessoal existe, mas não tem autoridade moral. Preferir café a chá é gosto. Preferir corrupção à integridade não é. Escolher entre estilos musicais é gosto.
Celebrar o que destrói a dignidade humana não é. Existem gostos e existem deformações. O gosto é um território pequeno. A virtude é uma montanha. Quem reduz tudo a gosto tenta nivelar vida moral e capricho estético, como se a consciência fosse uma prateleira de supermercado.
A frase ficou famosa porque cria uma falsa paz. Sem gosto absoluto, ninguém precisa rever nada, ninguém precisa mudar, ninguém precisa confrontar seus próprios abismos. Tudo vira cor opcional da mesma paleta. Mas a realidade não funciona assim. Muito menos Deus, a história e a vida. Há atos que elevam uma pessoa e há atos que a jogam para o chão. Há escolhas que iluminam e escolhas que escurecem o mundo. Há gostos que são apenas preferências e há gostos que são diagnósticos.
Desmistificar essa frase é lembrar o óbvio que muitos esquecem. Nem tudo é questão de gosto. Existem padrões morais que sustentam civilizações, famílias, vocações, relacionamentos e almas. Quando tudo é nivelado por gosto, a sociedade perde o norte. Quando o gosto ganha status de bússola, o voo promete turbulências.
Porque, no fim, o gosto é um capricho. A justiça é um fundamento. E é sobre fundamentos que a vida é edificada.
Texto de JB Carvalho

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