Frida Vingren, a voz que tentaram apagar!

A missionária sueca Frida Maria Strandberg Vingren morreu aos 49 anos, em 30 de setembro de 1940, na Suécia, nos braços da filha, pesando apenas 23 quilos. Nos cinco anos anteriores, ela havia perdido quase 40 quilos entre internações em um hospital psiquiátrico de Estocolmo, segundo reportagem da BBC News Brasil.
Casada com o sueco Gunnar Vingren, fundador da Assembleia de Deus em Belém do Pará, Frida se tornou uma das lideranças mais importantes da igreja durante os 15 anos em que viveu no Brasil. Ela ajudou a construir o ministério no Rio de Janeiro, comandava um jornal e pregava em praça pública — funções, até então, reservadas apenas aos homens.
Frida embarcou para Belém em 1917, aos 26 anos, enviada pela Igreja Filadélfia, denominação pentecostal de Estocolmo, para se juntar a Gunnar, que fundara a Assembleia de Deus no Brasil sete anos antes. Os dois se casaram três meses após o desembarque, em cerimônia realizada pelo pastor sueco Samuel Nyström — que, mais tarde, se tornaria um de seus principais opositores.
No início, o trabalho da missionária se concentrava nos serviços sociais da igreja, como cuidar de órfãos, visitar idosos e doentes, e atender pacientes de hanseníase em leprosários da região, segundo a jornalista sueca Kajsa Norell, autora do livro “Halleluja, Brasilien!”. Com o tempo, diante das viagens constantes e da saúde frágil do marido, Frida passou a assumir cada vez mais atribuições dele em Belém, incluindo tradução de hinos, canto e pregação.
Essa atuação gerou atrito com o pastor Samuel Nyström, então à frente do jornal da Assembleia de Deus, o Boa Semente, que era contrário à pregação feminina. Segundo a pesquisadora Valéria Vilhena, da Universidade Metodista, autora de tese de doutorado sobre a missionária, a tensão entre Frida e a liderança masculina da igreja se tornou insustentável, levando o casal a se mudar para o Rio de Janeiro em 1924.
Na capital carioca, Frida ampliou seu trabalho: tornou-se a primeira mulher da religião a dirigir uma escola bíblica dominical, fundada dentro de uma prisão, e criou o jornal Som Alegre, pelo qual passou a defender o ministério feminino.
A trajetória de Frida permaneceu esquecida por décadas e, nos últimos anos, vem sendo resgatada tanto na Suécia quanto no Brasil, tornando-se tema de livro, de tese acadêmica e reacendendo o debate sobre o papel da mulher na Assembleia de Deus, hoje a maior religião pentecostal do país, com 12 milhões de fiéis.
Fonte: BBC News Brasil, BBC News, portuguese, geral-44731827) Foto: Reprodução
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