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Um pouco de Literatura…

Um pouco de Literatura...

Elizabeth Barrett Browning passou boa parte da vida ouvindo que era frágil demais para viver sozinha, fraca demais para se casar e doente demais para ter uma vida normal.

Aos 39 anos, ela vivia praticamente reclusa na casa da família em Londres. Sofria com problemas de saúde há anos, passava longos períodos deitada e usava medicamentos fortes para controlar a dor. Os médicos não chegavam a um consenso sobre a origem de seus problemas, mas a imagem que se criou ao redor dela era sempre a mesma: Elizabeth era uma mulher doente, dependente e com pouco futuro pela frente.

Quem reforçava esse controle era o pai, Edward Barrett Moulton-Barrett.

Ele comandava a família de forma rígida e havia imposto uma regra extrema aos 12 filhos: nenhum deles deveria se casar. Elizabeth, apesar de já ser uma poeta conhecida e respeitada, continuava presa à autoridade dele.

Foi então que chegou uma carta.

Robert Browning, um poeta mais jovem, escreveu dizendo que admirava profundamente os versos de Elizabeth. Ela respondeu. A partir dali, os dois começaram uma correspondência intensa que se transformou em centenas de cartas ao longo de meses.

Robert passou a tratá-la de uma forma que ela pouco conhecia. Não como uma mulher inválida, mas como alguém inteligente, talentosa e capaz de decidir a própria vida.

Os dois finalmente se encontraram em 1845.

Pouco tempo depois, Robert quis se casar com ela.

Elizabeth acreditava que aquilo era quase impossível. Sabia que o pai jamais permitiria e ainda temia ser um peso para o marido por causa da saúde.

Mesmo assim, os dois começaram a planejar tudo escondidos.

No dia 12 de setembro de 1846, Elizabeth saiu de casa acompanhada de sua criada e foi até uma igreja em Londres. Robert a esperava ali.

Eles se casaram em segredo.

Depois da cerimônia, Elizabeth fez algo quase inacreditável.

Voltou para casa.

Sentou-se à mesa com a família.

Jantou normalmente.

E fingiu que nada havia acontecido.

Durante alguns dias, continuou vivendo como a filha obediente que todos acreditavam conhecer.

Então foi embora.

Elizabeth deixou a casa do pai, levou seu cachorro Flush, alguns pertences e partiu com Robert para a Europa.

O pai ficou furioso.

Deserdou a filha, devolveu cartas sem sequer abri-las e nunca aceitou a decisão dela.

Mas, longe daquela casa, Elizabeth começou uma vida completamente diferente.

O casal se estabeleceu em Florença, na Itália, e a saúde dela melhorou o suficiente para que pudesse viajar, escrever e viver com muito mais liberdade do que antes.

Em 1849, aos 43 anos, teve um filho.

E continuou escrevendo.

Foi nesse período que publicou alguns de seus trabalhos mais conhecidos, incluindo os poemas de amor reunidos em *Sonnets from the Portuguese*, onde aparece um dos versos mais famosos da literatura inglesa: “Como te amo? Deixa-me contar as maneiras.”

Mas Elizabeth não escrevia apenas sobre amor.

Também se envolveu com questões políticas, apoiou movimentos pela unificação da Itália e escreveu contra a escravidão, apesar de a riqueza de sua própria família ter ligação histórica com plantações na Jamaica.

Ela se tornou uma das escritoras mais importantes de sua época.

Elizabeth e Robert permaneceram juntos por cerca de 15 anos.

Em 1861, ela m*rreu em Florença, aos 55 anos, nos braços do marido.

A mulher que durante anos foi tratada como incapaz de viver sem a proteção do pai passou a última parte da vida fazendo exatamente o contrário.

Casou-se por escolha própria, deixou a casa onde era controlada, teve um filho, viajou, escreveu, participou de debates políticos e construiu uma carreira que atravessaria gerações.

Talvez essa seja a parte mais forte de sua história.

Durante anos, disseram a Elizabeth que ela era frágil demais para viver por conta própria.

Quando finalmente saiu pela porta, descobriu que era muito mais forte do que haviam permitido que ela acreditasse.

Fonte: Enfim, história.

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